
Se as estrelas são as culpadas e não há nada que você possa fazer, então faça uma pausa e embarque nessa história, que discute a fragilidade da vida, a existência efêmera e o amor instransponível.
Primeira atividade resenhística no blog. Li essa pequena obra de arte do John Green lá no início de janeiro, mas o que me levou a vir falar dela aqui foi a característica que, a meu ver, é o mérito do livro: simplesmente cativante.
A aquisição do livro foi um acidente. Por acaso, passeando no shopping, me deparei com ele e, boa consumista como sou, dei uma analisada e decidi levar para casa.
No decorrer dessas 288 páginas, desde a primeira virada eu já mergulhei na história da Hazel.
Não sei se posso culpar essa identificação instantânea porque sou estudante de medicina e tenho um flerte com o tema. O que realmente importa é que a tendência, instaurada lá no início da leitura, persistiu e continuou e eu devorei o livro em 1 dia (eram férias, na praia e sem internet... não é muito difícil imaginar). Não conhecia nenhuma obra do John Green e achei simplesmente fantástica. A escolha dos termos, a forma sutil de abordar um tema doloroso. É romântico sem ser meloso, triste sem dar aquela sensação de "lixo" após a leitura, contido mas transbordante, emocionante, lindo... Uma lição de vida. Não sei, me faltam palavras pra descrever a sensação boa que esse livro me trouxe - e olha que é uma história que, crua, é relativamente depressiva: imagina dois jovens com câncer, um deles sem possibilidade de cura? Então para esse tipo de conteúdo trazer, paradoxalmente, essa sensação de leveza, o mérito da narrativa é muito.
Eu tenho tendência a enjoar do "happily ever after". Afinal, sejamos sinceros: o mundo não é cor-de-rosa. Finais felizes só acontecem nos filmes da Disney. A vida não é justa e a gente só aprende a ser feliz quando consegue extrair a alegria, mesmo com e apesar de todo percalço ou toda coisa ruim que ela insistir em nos provar. E ao se manter fiel a realidade, ao mostrar o conto-de-fadas do amor de verdade com a amargura do mundo como o mundo é, para mim aí que reside a maior pérola da narrativa (não é a única pérola do livro, dava para fazer uma coleção destas pois o livro é em si perfeito).
Gostaria de deixar bem claro que eu NUNCA havia escutado sobre o livro, e estava sem internet na ocasião para pesquisar resenhas antes de ler, então eu estava julgando apenas como mais um YA (young adult), mais um "livro de casinho adolescente" previsível e melodramático. Sério, que grande erro. Acho que essa surpresa e toda a suavidade e, ao mesmo tempo, crueldade por trás das páginas foi o que me conquistou. Eu amei cada linha, cada letrinha. Assim que entrar de férias pretendo ler de novo (sim, eu adoro reler os livros que eu gosto. Devo ter lido Férias umas 30x. Harry Potter e o Diário da Princesa eu leio a coleção 1x por ano no mínimo. KINDA obssesive).
Não quero cair na mesmice de dar notas para livros etc...
Mas um conselho para todos que buscam uma leitura que seja deliciosa apesar de triste (sim, eu chorei), suave e pesada, tranquila e bonita, triste, contida, real, nua, que faça a alma ficar despida e traga um pouco de serenidade e te leve a pensar, eu recomendo.
Leiam!! Vale a pena cada momento...
Aqui vem o trechinho que me fez levar para casa:
"Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter."
Beijos meus.
